sábado, 25 de fevereiro de 2012

Identidade.

Aos doze anos, comemorei meu trigésimo aniversário. As preocupações que eu tinha, me mantinham buscando soluções para prestar contas que não criei e aturar crises de um casamento que não era meu. Em cada conversa eu lia as entre linhas e já entendia as mentiras por trás delas, foi assim que comecei a mentir e a brincar com as palavras, com expressões, com as pessoas.
Aos dezesseis, fui arrastada para os cinquenta e sete. Estava sozinha, sem nenhum amigo e cuidando da vida dos outros na esperança de absorver o mínimo de felicidade que pudesse. Minha mente já me confundia, estava cheia, pesada e meu corpo começou a sofrer os efeitos de tamanha imaginação. 
Enfim, aprendi a chorar, como adulta. Em silêncio.
Com dezoito anos eu cheguei aos setenta e cinco, cansada demais, doente e dependente... Foram anos de elefantes cor de rosa dançando em um céu de nuvens cinzas. Eu, era só tristeza  e solidão em dias insuportáveis. Foi nessa época que atingi o desespero e sem aguentar mais, gritei plenos pulmões, tendo nas mãos uma sacola de medo, dor e ansiedade.
Alguém então me ouviu.
No final desse drama, foi o desespero que me mostrou um caminho. Não a esperança, não os que diziam ser amigos e, definitivamente, não foi a auto confiança que eu deveria ter.
A vida correu. Depressa. Agarrei o que pude.
Hoje, sou tranquila apenas e aos oitenta e oito anos tenho só vinte e dois e aguardo a única certeza que os anos me devem.

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